Kanban de processos: o cartão é o caso ou a tarefa do caso?
Organização · · 6 min de leitura · Equipe Adv3
Kanban de processos costuma nascer como um quadro em que cada cartão é um caso, com colunas pelas fases do rito. Ele trava porque o processo passa meses na mesma fase e o quadro vira fotografia parada. O que se move em dias é a tarefa ligada ao caso, e é ela que dá ao quadro o que ele tem de útil: quem está com o quê, o que atrasou e o que falta fazer.
Quem monta um kanban de processos pela primeira vez quase sempre desenha a mesma coisa: uma coluna para cada fase do rito, um cartão para cada caso. Três semanas depois, ninguém abre o quadro. A tela não falhou por falta de disciplina: falhou porque o cartão escolhido é grande demais para se mover.
Kanban de processos: o que se coloca no cartão
A decisão que define o quadro vem antes das colunas. Existem dois desenhos possíveis, e eles respondem a perguntas diferentes:
| Cartão é o caso | Cartão é a tarefa do caso | |
|---|---|---|
| Quanto tempo fica numa coluna | Meses | Dias |
| O que a coluna informa | A fase do rito | O estado do trabalho |
| Quem move | Ninguém, ou todo mundo | O responsável pela tarefa |
| O que o atraso mostra | Nada: fase não tem data | A data que passou, com nome |
| Onde a informação já existe | No andamento do tribunal | Só no quadro |
A última linha é a que decide. A fase do caso já está registrada em outro lugar, nos andamentos que o tribunal publica, tema de movimentação processual. Um quadro que repete essa informação dá trabalho em dobro e não acrescenta nada. O quadro de tarefas mostra o que só ele sabe: quem do escritório está fazendo o quê, agora.
Por que o quadro por fase do rito trava
O processo passa semanas aguardando citação, meses aguardando perícia e às vezes anos aguardando julgamento de recurso. Nesse tempo, o cartão fica parado na mesma coluna, e um quadro em que nada se move deixa de ser olhado. É o sintoma que aparece primeiro.
O segundo é pior: o quadro por fase esconde o trabalho. "Instrução" não diz se a lista de testemunhas foi feita, se o cliente mandou os documentos ou se alguém preparou as perguntas. Três tarefas diferentes, com três donos possíveis, cabem no mesmo cartão parado, e nenhuma delas aparece.
O terceiro é de manutenção. Quando a carteira passa de algumas dezenas de casos, arrastar cada um a cada movimento vira tarefa própria, que ninguém assume. O quadro envelhece em silêncio, e a equipe volta a perguntar em voz alta o que já deveria estar na tela.
O que cada cartão precisa mostrar sem ser aberto
O valor de um quadro é a leitura de relance. Se for preciso clicar em cada cartão para saber o essencial, a tela virou uma lista com passos a mais. Seis informações cabem na frente do cartão:
- O que fazer, com verbo. "Minutar réplica" em vez de "Réplica".
- Quem faz. Um nome, e não um setor.
- Até quando. A data combinada, destacada quando passou.
- De qual caso. O processo vinculado, para ninguém precisar deduzir pelo título.
- Quanto falta. O progresso do checklist de processo, quando a tarefa tem passos.
- Prioridade. Um sinal discreto, que só informa se for usado com parcimônia.
Tudo além disso fica dentro do cartão: descrição, comentários, histórico.
Três colunas bastam para começar
A fazer, em andamento e concluída. O desenho mínimo parece pobre, e é exatamente por isso que funciona no primeiro mês: ninguém precisa decidir em qual das sete colunas o cartão deveria estar.
O método de montar colunas pelo estado real do trabalho, com coluna para o que aguarda terceiro e limite do que pode estar em andamento, é assunto de Kanban na advocacia. O que a tela acrescenta ao método é a disciplina da data: um cartão com prazo vencido aparece de outro jeito, e o quadro passa a dizer não só onde o trabalho está, mas se ele está atrasado.
Os filtros que fazem o quadro servir à equipe
Um quadro com o trabalho do escritório inteiro é útil para quem coordena e excessivo para quem executa. Três recortes resolvem:
- Só as minhas. Cada pessoa abre o dia pelo que é dela.
- Por responsável. Quem distribui enxerga a carga de cada um, o que conversa com distribuição de casos na equipe.
- Por prioridade. Para a semana em que tudo aperta.
Sem filtro, a pessoa rola a tela procurando o próprio nome, e a leitura de relance deixa de existir.
O que não vai para o quadro
O prazo processual. Ele tem data fatal, contagem própria e não pode depender de alguém arrastar um cartão. O prazo mora na agenda, como compromisso com responsável, e as tarefas que o preparam, minuta, revisão e protocolo, vão para o quadro com datas anteriores a ele. Como escolher essas datas está em tarefa com prazo interno.
Também ficam fora a audiência e a reunião, que têm hora e lugar, e o trabalho cancelado, que só polui a tela. A regra geral de o que é tarefa e o que é compromisso está em lista de tarefas do escritório.
Perguntas frequentes
Posso ter um kanban de processos por fase e outro de tarefas?
Pode, mas o de fases costuma morrer primeiro. A fase do caso já está nos andamentos; o que falta ao escritório é saber quem está fazendo o quê.
Quantos cartões uma pessoa deve ter em andamento?
Poucos. Quando a coluna de andamento de alguém passa de quatro ou cinco cartões, o problema é de distribuição, e não de esforço.
O cartão precisa estar ligado ao processo?
Precisa, sempre que a tarefa for de um caso. Sem o vínculo, o título carrega o número do processo e ninguém o digita igual duas vezes.
E o trabalho que não é de nenhum caso?
Entra no mesmo quadro, sem vínculo. Pagar uma conta, renovar um certificado e organizar o arquivo também são tarefas com dono e data.
Quadro ou lista?
São duas vistas dos mesmos dados. O quadro mostra estado e fluxo; a lista mostra prazo e dono em ordem. A equipe costuma usar as duas.
Como o Adv3 trata isso
No Adv3, o quadro é o das Tarefas, com três colunas fixas: a fazer, em andamento e concluída, e arrastar o cartão muda o status. O cartão mostra prioridade, data (em vermelho quando passa), processo vinculado, progresso do checklist, número de comentários e o responsável, e a tela filtra por responsável, prioridade e "minhas". A mesma base aparece em lista, onde ficam também as canceladas. O que ele não faz: não tem quadro de processos por fase, não deixa criar colunas no quadro de tarefas e não limita o trabalho em andamento. O prazo processual continua na agenda.
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