Previsão de recebimento: quanto vai entrar no mês que vem, e quanto disso é certo
Financeiro · · 5 min de leitura · Equipe Adv3
A previsão de recebimento do escritório é a soma do que tem vencimento lançado para o período, corrigida pelo quanto costuma entrar em dia. Parcela sem data não entra, êxito e alvará ficam numa linha à parte, e o vencido não conta como dinheiro do mês que vem. Ela é tão boa quanto os lançamentos: contrato assinado sem parcela registrada é dinheiro que a previsão não enxerga.
"Quanto entra no mês que vem?" é a pergunta que decide contratação, retirada dos sócios e a compra adiada. A previsão de recebimento responde, desde que exista uma coisa antes dela: cada honorário combinado registrado com a data em que deve entrar.
A previsão de recebimento começa no vencimento lançado
Não existe previsão sem data. O honorário "de uns dez mil, em algumas parcelas" combinado na reunião não entra em conta nenhuma até virar parcelas com valor e vencimento.
Por isso a previsão nasce no contrato, e não no fim do mês. Assinou, lança:
- Parcelas do contrato, cada uma com o valor e o dia.
- Honorário mensal, como série que se repete, e não lançado à mão todo mês.
- Entrada combinada, com a data real em que ela vai cair, e não com a data da assinatura.
O parcelamento de honorários só vira dinheiro previsível quando cada parcela tem dia. Sem isso, o que existe é uma expectativa, e expectativa não paga folha.
O que entra, o que fica à parte e o que fica fora
Nem todo valor a receber tem a mesma chance de entrar no mês. Misturar tudo numa linha só produz uma previsão otimista que nunca se confirma.
| Valor | Na previsão do mês? | Por quê |
|---|---|---|
| Parcela de contrato com vencimento no mês | Entra | Tem data e depende só do cliente |
| Honorário mensal recorrente | Entra | É a base mais previsível que existe |
| Parcela renegociada de cliente que já atrasou | Entra, com desconto | A data existe; o histórico pede cautela |
| Êxito sem decisão | Fora | Não tem data nem certeza |
| Alvará ou RPV expedido | Linha à parte | A data depende do tribunal e do banco |
| Parcela vencida há meses | Fora | É cobrança, não previsão |
O caso do alvará merece a linha própria porque é o que mais engana: o valor é alto, a expedição parece iminente, e o levantamento leva semanas. Como cada um funciona está em alvará, RPV e precatório.
Corrigir pelo costume: quanto do previsto entra em dia
A soma do que vence no mês é a previsão bruta. A realista sai de uma conta simples com os três últimos meses: do que venceu em cada mês, quanto entrou dentro do próprio mês.
Um exemplo, com números ilustrativos: se nos últimos três meses venceram R$ 40 mil por mês e entraram, em média, R$ 34 mil no mesmo mês, a taxa de realização é de 85%. Com R$ 50 mil vencendo no mês que vem, a previsão realista fica perto de R$ 42,5 mil, e o restante é o que a cobrança precisa trazer.
Duas observações tornam a conta útil:
- Ela é do seu escritório. Taxa de outro escritório, ou "de mercado", não serve: a carteira, o público e a régua de cobrança são outros.
- Ela muda. Refaça a conta todo mês. Queda seguida é o primeiro sinal de inadimplência crescendo, antes de ela aparecer no saldo.
Trinta dias para agir, noventa para decidir
A previsão do mês seguinte é operacional: diz quem cobrar e se o caixa aguenta a semana. A de noventa dias é de decisão: mostra o mês em que o dinheiro aperta, com tempo de antecipar uma cobrança ou adiar um gasto.
Esta página trata só das entradas. Junto com as saídas fixas e o saldo acumulado, ela vira o fluxo de caixa do escritório, que é onde a previsão de recebimento produz decisão.
O que faz a previsão mentir
Quase sempre é o lançamento, e não a conta:
- Contrato assinado sem parcela registrada. O dinheiro existe e a previsão não o vê.
- Data combinada de boca. O cliente pediu para pagar dia 20, e o sistema continua dizendo dia 5.
- Baixa atrasada. O que entrou e não foi marcado aparece como pendente, e a previsão do mês seguinte carrega valor que já está no banco.
- Série de contrato encerrado. O cliente saiu e o honorário mensal continua sendo previsto.
Cada um desses erros é pequeno. Somados, fazem a previsão perder a credibilidade, e previsão em que ninguém acredita deixa de ser olhada.
Cinco minutos por semana
A rotina que sustenta a previsão é curta. Toda semana, alguém olha o que venceu nos últimos sete dias e não entrou. Cada item vira uma de três coisas: baixa que faltava, contato com o cliente ou data corrigida. É o começo da régua de cobrança, e é também o que mantém o número do mês que vem honesto.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre a receber e previsão de recebimento?
O a receber é o estoque: tudo o que está em aberto, de qualquer data. A previsão é o fluxo: o que tem vencimento num período específico e deve entrar nele.
Êxito entra na previsão?
Não na linha principal. Quando houver decisão favorável e expectativa de levantamento, ele vai para uma linha separada, sem somar ao que é certo.
Com que antecedência fazer a previsão?
Trinta dias para a rotina e noventa para decisões de gasto e contratação. Acima disso, a incerteza costuma ser maior que a informação.
E se o cliente sempre paga atrasado?
A taxa de realização já capta isso. Se um cliente concentra o atraso, vale conversar sobre a data de vencimento em vez de corrigir a previsão todo mês.
Como o Adv3 trata isso
No Adv3, toda receita tem vencimento, e o honorário que se repete nasce de uma recorrência: as parcelas futuras são geradas como pendentes até dezembro do ano escolhido, e a série sem limite continua depois disso. Filtrando a tela Financeiro por mês, tipo receita e status pendente, o total do período mostra o que está previsto para entrar naquele mês. O cartão "A receber" soma o pendente e destaca o que já passou da data, que o sistema marca como atrasado sozinho. O sistema não projeta cenário, não aplica taxa de realização e não emite cobrança: a correção pelo costume e o contato com o cliente continuam com o escritório.
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