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Relatório mensal para o cliente: o que entra, o que sai e com que frequência

Atendimento · 2026-08-18 · 5 min de leitura · Equipe Adv3

O relatório mensal para o cliente não é exigência do Código de Ética: o que a norma cobra é informar sobre riscos e consequências, sem periodicidade fixa. O relatório existe por outro motivo, evitar a pergunta 'como está meu processo', e funciona melhor curto: o que andou, o que se espera e o que depende do cliente. Andamento copiado do tribunal não informa ninguém.

Neste artigo

  1. O relatório mensal para o cliente é obrigatório?
  2. O que ele resolve na prática
  3. O erro que anula o relatório
  4. O que entra e o que fica de fora
  5. A frequência certa não é sempre mensal
  6. Quem escreve, e em quanto tempo
  7. Quando o portal substitui o relatório
  8. Perguntas frequentes
  9. Como o Adv3 trata isso

Quase todo escritório que atende bem chega na mesma pergunta: vale mandar um relatório mensal para o cliente, e o que exatamente deveria estar nele. A resposta muda bastante quando se separa o que a norma cobra do que a prática resolve.

Comparação entre o relatório longo que copia andamento do tribunal e não informa o cliente, e o relatório curto com o que andou, o que se espera e o que depende do cliente

O relatório mensal para o cliente é obrigatório?

Não do jeito que se costuma supor. O Código de Ética e Disciplina da OAB trata do dever de informar no artigo 9º, e o que ele exige é que o advogado informe o cliente de modo claro quanto aos riscos da pretensão e às consequências que podem advir da demanda. É dever de conteúdo, não de calendário: não há artigo fixando periodicidade nem formato.

Isso não torna o relatório dispensável, muda o motivo de ele existir. Ele não é cumprimento de formalidade, é a resposta antecipada para a pergunta que chegaria de qualquer jeito.

O que ele resolve na prática

A conta é simples de fazer no seu escritório. Conte quantas mensagens de "como está meu processo" chegam por semana, multiplique pelo tempo de abrir o processo, entender onde ele está e escrever uma resposta em linguagem que o cliente entenda.

Esse tempo é o custo de não ter combinado nada. O relatório periódico troca um fluxo imprevisível de interrupções por uma tarefa previsível, e interrupção custa mais que tarefa: ela quebra o trabalho que estava em andamento.

O outro efeito é de percepção. Cliente que recebe notícia sem pedir não fica com a sensação de estar sendo esquecido, que é a origem mais comum da insatisfação em causa longa. Vale ler junto com retenção de clientes na advocacia.

O erro que anula o relatório

O relatório inútil tem um formato reconhecível: ele copia o andamento processual do tribunal e manda.

"Conclusos para despacho", "juntada de petição", "expedida certidão". Para quem não é do meio, isso não é informação, é ruído com aparência de informação. O cliente lê, não entende, e pergunta a mesma coisa de sempre. O relatório deu trabalho e não evitou nada.

Um relatório informa quando responde três perguntas em português comum: o que aconteceu, o que se espera daqui para frente, e se precisa de alguma coisa da parte dele.

O que entra e o que fica de fora

Entra Fica de fora
O que mudou desde o último, em uma ou duas frases Cópia literal de movimentação do tribunal
O que se espera como próximo passo Estimativa de prazo de decisão judicial
O que depende do cliente, com o que é preciso Jargão sem tradução
Nada mudou, quando nada mudou Silêncio no mês parado

A última linha das duas colunas é a mais importante. Processo tem mês em que nada acontece, e escrever "nada andou neste mês, e isso é esperado nesta fase" é informação legítima. O que produz ansiedade é o silêncio, não a ausência de movimentação.

A frequência certa não é sempre mensal

Mensal virou padrão por hábito, não por adequação. A periodicidade útil segue o ritmo da causa.

Processo em fase de instrução, com audiência marcada e prova a produzir, pede notícia mais próxima do evento. Execução parada esperando penhora pode render um contato a cada dois ou três meses sem prejuízo nenhum. Causa em grau de recurso costuma ficar longos períodos sem nada relevante.

Combinar isso na primeira consulta evita os dois extremos: o cliente que cobra toda semana e o que some por um ano e reaparece achando que foi abandonado.

Quem escreve, e em quanto tempo

Se o relatório depende de o advogado responsável sentar e redigir cada um, ele não sobrevive ao primeiro mês cheio. O que sustenta a rotina é o texto sair curto e o dado já estar organizado.

Escritório que mantém o andamento registrado no sistema à medida que as coisas acontecem escreve um relatório em minutos, porque só falta traduzir. Escritório que precisa reconstituir o histórico abrindo o processo gasta meia hora por cliente, e desiste. É o mesmo raciocínio de acompanhar publicações e andamentos sem depender de olhar o diário.

Quando o portal substitui o relatório

Parte dos escritórios resolve isso com acesso permanente em vez de envio periódico, como descreve como está meu processo.

Os dois modelos não competem tanto quanto parece. O portal resolve a consulta de quem quer olhar agora; o relatório resolve a lembrança de quem não vai entrar para olhar. Cliente empresarial costuma usar portal, e pessoa física costuma preferir receber. Vale escolher pelo perfil de quem você atende.

Perguntas frequentes

O relatório mensal é exigido pela OAB?

Não. O Código de Ética exige informar o cliente sobre riscos e consequências, sem fixar periodicidade ou formato. O relatório é boa prática, e prova útil de que o dever de informação vem sendo cumprido.

Posso mandar por WhatsApp?

Pode, e é o canal que a maioria dos clientes lê. O cuidado é de registro: a conversa precisa ficar guardada no histórico do caso, e não só no celular de quem mandou.

E se o cliente não responder nem ler?

Continue enviando e registre o envio. O dever é informar, não obter resposta, e o registro protege o escritório quando alguém alega depois que nunca soube de nada.

Devo estimar quanto tempo falta para acabar?

Evite. Prazo de decisão judicial não está sob controle do escritório, e estimativa dada com segurança vira promessa na cabeça de quem ouviu.

Vale mandar relatório de processo parado?

Vale, e é justamente onde ele rende mais. Dizer que nada andou e por quê custa duas linhas e evita a interpretação de abandono.

Como o Adv3 trata isso

No Adv3 o histórico do caso, os documentos e as conversas ficam no mesmo lugar, então escrever a notícia do mês é traduzir o que já está registrado, não reconstituir o processo do zero. O portal do cliente cobre quem prefere consultar a receber.

O que o Adv3 não faz: não redige o relatório por você nem envia texto pronto em lote para a carteira inteira. A tradução do andamento para a linguagem do cliente continua sendo trabalho de quem conhece a causa.

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