Relatório mensal para o cliente: o que entra, o que sai e com que frequência
Atendimento · · 5 min de leitura · Equipe Adv3
O relatório mensal para o cliente não é exigência do Código de Ética: o que a norma cobra é informar sobre riscos e consequências, sem periodicidade fixa. O relatório existe por outro motivo, evitar a pergunta 'como está meu processo', e funciona melhor curto: o que andou, o que se espera e o que depende do cliente. Andamento copiado do tribunal não informa ninguém.
Quase todo escritório que atende bem chega na mesma pergunta: vale mandar um relatório mensal para o cliente, e o que exatamente deveria estar nele. A resposta muda bastante quando se separa o que a norma cobra do que a prática resolve.
O relatório mensal para o cliente é obrigatório?
Não do jeito que se costuma supor. O Código de Ética e Disciplina da OAB trata do dever de informar no artigo 9º, e o que ele exige é que o advogado informe o cliente de modo claro quanto aos riscos da pretensão e às consequências que podem advir da demanda. É dever de conteúdo, não de calendário: não há artigo fixando periodicidade nem formato.
Isso não torna o relatório dispensável, muda o motivo de ele existir. Ele não é cumprimento de formalidade, é a resposta antecipada para a pergunta que chegaria de qualquer jeito.
O que ele resolve na prática
A conta é simples de fazer no seu escritório. Conte quantas mensagens de "como está meu processo" chegam por semana, multiplique pelo tempo de abrir o processo, entender onde ele está e escrever uma resposta em linguagem que o cliente entenda.
Esse tempo é o custo de não ter combinado nada. O relatório periódico troca um fluxo imprevisível de interrupções por uma tarefa previsível, e interrupção custa mais que tarefa: ela quebra o trabalho que estava em andamento.
O outro efeito é de percepção. Cliente que recebe notícia sem pedir não fica com a sensação de estar sendo esquecido, que é a origem mais comum da insatisfação em causa longa. Vale ler junto com retenção de clientes na advocacia.
O erro que anula o relatório
O relatório inútil tem um formato reconhecível: ele copia o andamento processual do tribunal e manda.
"Conclusos para despacho", "juntada de petição", "expedida certidão". Para quem não é do meio, isso não é informação, é ruído com aparência de informação. O cliente lê, não entende, e pergunta a mesma coisa de sempre. O relatório deu trabalho e não evitou nada.
Um relatório informa quando responde três perguntas em português comum: o que aconteceu, o que se espera daqui para frente, e se precisa de alguma coisa da parte dele.
O que entra e o que fica de fora
| Entra | Fica de fora |
|---|---|
| O que mudou desde o último, em uma ou duas frases | Cópia literal de movimentação do tribunal |
| O que se espera como próximo passo | Estimativa de prazo de decisão judicial |
| O que depende do cliente, com o que é preciso | Jargão sem tradução |
| Nada mudou, quando nada mudou | Silêncio no mês parado |
A última linha das duas colunas é a mais importante. Processo tem mês em que nada acontece, e escrever "nada andou neste mês, e isso é esperado nesta fase" é informação legítima. O que produz ansiedade é o silêncio, não a ausência de movimentação.
A frequência certa não é sempre mensal
Mensal virou padrão por hábito, não por adequação. A periodicidade útil segue o ritmo da causa.
Processo em fase de instrução, com audiência marcada e prova a produzir, pede notícia mais próxima do evento. Execução parada esperando penhora pode render um contato a cada dois ou três meses sem prejuízo nenhum. Causa em grau de recurso costuma ficar longos períodos sem nada relevante.
Combinar isso na primeira consulta evita os dois extremos: o cliente que cobra toda semana e o que some por um ano e reaparece achando que foi abandonado.
Quem escreve, e em quanto tempo
Se o relatório depende de o advogado responsável sentar e redigir cada um, ele não sobrevive ao primeiro mês cheio. O que sustenta a rotina é o texto sair curto e o dado já estar organizado.
Escritório que mantém o andamento registrado no sistema à medida que as coisas acontecem escreve um relatório em minutos, porque só falta traduzir. Escritório que precisa reconstituir o histórico abrindo o processo gasta meia hora por cliente, e desiste. É o mesmo raciocínio de acompanhar publicações e andamentos sem depender de olhar o diário.
Quando o portal substitui o relatório
Parte dos escritórios resolve isso com acesso permanente em vez de envio periódico, como descreve como está meu processo.
Os dois modelos não competem tanto quanto parece. O portal resolve a consulta de quem quer olhar agora; o relatório resolve a lembrança de quem não vai entrar para olhar. Cliente empresarial costuma usar portal, e pessoa física costuma preferir receber. Vale escolher pelo perfil de quem você atende.
Perguntas frequentes
O relatório mensal é exigido pela OAB?
Não. O Código de Ética exige informar o cliente sobre riscos e consequências, sem fixar periodicidade ou formato. O relatório é boa prática, e prova útil de que o dever de informação vem sendo cumprido.
Posso mandar por WhatsApp?
Pode, e é o canal que a maioria dos clientes lê. O cuidado é de registro: a conversa precisa ficar guardada no histórico do caso, e não só no celular de quem mandou.
E se o cliente não responder nem ler?
Continue enviando e registre o envio. O dever é informar, não obter resposta, e o registro protege o escritório quando alguém alega depois que nunca soube de nada.
Devo estimar quanto tempo falta para acabar?
Evite. Prazo de decisão judicial não está sob controle do escritório, e estimativa dada com segurança vira promessa na cabeça de quem ouviu.
Vale mandar relatório de processo parado?
Vale, e é justamente onde ele rende mais. Dizer que nada andou e por quê custa duas linhas e evita a interpretação de abandono.
Como o Adv3 trata isso
No Adv3 o histórico do caso, os documentos e as conversas ficam no mesmo lugar, então escrever a notícia do mês é traduzir o que já está registrado, não reconstituir o processo do zero. O portal do cliente cobre quem prefere consultar a receber.
O que o Adv3 não faz: não redige o relatório por você nem envia texto pronto em lote para a carteira inteira. A tradução do andamento para a linguagem do cliente continua sendo trabalho de quem conhece a causa.