A primeira consulta: como conduzir para o cliente decidir

Atendimento · · 4 min de leitura · Equipe Adv3

A primeira consulta: como conduzir para o cliente decidir

A primeira consulta não é uma aula de direito: é uma conversa em que o cliente precisa entender a situação dele, o que você faria e quanto custa. Ouça antes de opinar, traduza o cenário sem prometer resultado, fale de honorários na própria consulta e termine com um próximo passo com data — a maior parte dos casos se perde no silêncio depois do "vou pensar".

Existe uma cena que se repete: a consulta dura uma hora, o advogado explica o caso em detalhe, o cliente agradece, diz que vai pensar — e nunca mais aparece.

Quase sempre o problema não foi técnico. O cliente saiu sabendo mais sobre direito e menos sobre o que fazer.

Antes: o que apurar em cinco minutos

Boa parte do tempo de consulta se perde descobrindo coisas que poderiam ter sido perguntadas no primeiro contato:

Isso permite chegar à conversa sabendo se o caso é da sua área, se é urgente e se vale reservar uma hora. Também evita a pior situação possível: descobrir na consulta que o prazo venceu ontem.

Durante: um roteiro que funciona

1. Deixe contar. Sem interromper, por alguns minutos. O cliente precisa sentir que foi ouvido antes de aceitar qualquer coisa que você diga. E a história tem informação que nenhuma pergunta objetiva captura.

2. Pergunte o que falta. Aí sim, dirigido: datas, documentos, valores, testemunhas. Aqui você está montando o caso, não conversando.

3. Traduza o cenário. Em português comum, com os caminhos possíveis, o que costuma acontecer, o que depende de terceiros. Sem prometer resultado — não é só ética, é prudência: promessa vira cobrança.

4. Diga o que você faria. É o que o cliente veio buscar. Não a aula: a recomendação.

5. Fale de dinheiro. Na própria consulta, sem rodeio: como você cobra, qual a ordem de grandeza, o que é despesa à parte. Adiar essa conversa para "depois mando por e-mail" é o principal motivo de o cliente sumir.

6. Combine o próximo passo, com data. "Vou preparar a proposta e te mando até quinta." Consulta que termina em "qualquer coisa me procura" termina.

Depois: o seguimento que quase ninguém faz

O caso não é decidido na consulta — é decidido dois dias depois, quando o cliente conversa com a família e compara com outro escritório.

Três contatos simples resolvem a maior parte:

Quando O quê
No mesmo dia Resumo por escrito do que foi conversado + proposta
3 dias depois Uma mensagem curta perguntando se ficou dúvida
7 a 10 dias Um último contato, sem insistência, deixando a porta aberta

Não é perseguição: é lembrar que você existe no momento em que ele está decidindo. Quem não faz isso perde caso para quem faz — não para quem é melhor.

O que não fazer

Não dê o parecer completo de graça. Diagnóstico e caminho, sim. A estratégia detalhada é o serviço.

Não critique o advogado anterior. Além de vedado pela ética profissional, soa mal: o cliente pensa que um dia falarão dele assim.

Não prometa prazo de tribunal. Você não controla. Diga o que costuma acontecer e o que depende de terceiros — e será lembrado como quem foi honesto quando o processo demorar.

Não termine sem valor. Nem que seja uma faixa. Cliente sem preço não decide; só adia.

Perguntas frequentes

Devo cobrar pela primeira consulta?

Depende do posicionamento. Cobrar filtra curiosos e valoriza seu tempo; não cobrar amplia o funil. O meio-termo comum é cobrar e abater do honorário se o cliente contratar — combinado antes, por escrito.

Quanto tempo deve durar?

Entre 40 e 60 minutos costuma bastar para os cinco passos. Consulta de duas horas raramente decide mais: costuma ser o advogado explicando direito além do necessário.

E se o caso não for da minha área?

Diga na hora e indique alguém. É o contato que mais gera reciprocidade, e você economiza o tempo dos dois. Aceitar caso fora da área para não perder o cliente costuma custar mais caro que recusar.

Como falar de honorários sem constranger?

Tratando como parte natural da conversa, não como o momento delicado do fim. Uma frase basta: "sobre valores, funciona assim". Quem constrange é o silêncio, não o número.

Vale mandar proposta por escrito?

Sempre. Além de registrar o combinado, a proposta por escrito é o documento que o cliente mostra a quem decide junto com ele — e é ela que trabalha por você depois que a conversa acabou.

Como o Adv3 trata isso

No Adv3, o cliente e o caso nascem no mesmo lugar em que ficarão os documentos, os prazos e o financeiro. O que foi combinado na consulta vira registro, e o seguimento dos dias seguintes vira tarefa com responsável — em vez de depender de alguém lembrar de retomar a conversa.

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