Quando contratar o primeiro advogado para o escritório
Gestão · · 5 min de leitura · Equipe Adv3
A hora de contratar o primeiro advogado chega quando a fila de trabalho técnico é recorrente — não pontual — e quando existe receita previsível para sustentá-la por pelo menos seis meses. Antes disso, o gargalo costuma ser administrativo, e a contratação certa é outra. Depois, adiar custa em casos recusados e em atendimento pior.
Todo escritório que cresce chega ao mesmo aperto: o dono está trabalhando à noite, recusando caso bom e atendendo pior do que gostaria. A pergunta que aparece é sempre a mesma — está na hora de contratar o primeiro advogado? — e ela costuma ser respondida pelo cansaço, que é o pior conselheiro disponível.
O gargalo é técnico ou administrativo?
Antes de qualquer conta, uma separação. Passe uma semana anotando onde o tempo vai e classifique cada bloco em duas colunas: exige advogado e não exige advogado.
| Não exige advogado | Exige advogado |
|---|---|
| Atender o primeiro contato e agendar | Ler o caso e definir a estratégia |
| Organizar documento e cadastrar processo | Redigir peça e sustentar tese |
| Confirmar audiência e deslocamento | Audiência e negociação |
| Cobrança de rotina | Orientar o cliente |
| Conferir publicação e lançar tarefa | Decidir a providência |
Se a coluna da esquerda estiver maior, a contratação certa não é advogado: é apoio. Contratar uma secretária para o escritório custa menos e libera mais horas técnicas do que parece.
Só quando a coluna da direita é a que transborda, e transborda toda semana, é que a resposta é advogado.
Contratar o primeiro advogado: o teste dos seis meses
O segundo critério é financeiro, e é simples: existe receita previsível para pagar o custo total por seis meses mesmo que nenhum caso novo entre?
A pergunta parece pessimista. Ela existe porque contratação é despesa fixa e receita de advocacia é irregular — o mês de honorário bom não paga o semestre. Quem não consegue responder essa pergunta com números provavelmente ainda não tem fluxo de caixa do escritório projetado além de 30 dias, e esse é o problema a resolver antes.
A conta não é o salário
O custo real da contratação inclui pelo menos:
- Salário ou pró-labore, e encargos conforme o vínculo escolhido.
- Seu tempo de treinamento nos primeiros meses — o item mais caro e o menos contabilizado.
- Estação de trabalho, acesso a sistema, telefone.
- A queda de produtividade que sempre acontece no primeiro trimestre.
O terceiro mês é o que decide. Antes dele, quase toda contratação parece um erro; depois dele, quase toda contratação boa já se paga.
Contratado, associado ou parceiro?
São arranjos diferentes e a escolha muda o risco:
- Empregado — subordinação, custo fixo, previsibilidade para os dois lados.
- Associado — sociedade de advogados com participação por resultado, sem vínculo empregatício, na forma prevista pelo Estatuto e pelo provimento aplicável. Exige combinado escrito, tema tratado em remuneração de advogado associado.
- Parceria por caso — sem custo fixo, ideal quando a demanda é sazonal ou de outra área. O combinado está em parceria entre advogados.
Escritório inseguro sobre a continuidade da demanda começa por parceria. Não é covardia: é adequar o custo à previsibilidade da receita.
O que precisa existir antes de a pessoa chegar
Contratar advogado sem organização pronta é transferir a bagunça para mais gente. Três coisas precisam estar em pé no primeiro dia:
- Um lugar só com processo, prazo, documento e histórico — não três lugares e a memória do dono.
- Acesso definido por papel, para que o novo advogado veja o que precisa e nada além, como em permissões e acesso da equipe.
- Prazo com responsável nominal, senão a divisão de trabalho vira discussão sobre de quem era a tarefa.
Como saber que deu certo
Não é pelo número de peças produzidas. Os sinais de que a contratação funcionou são outros:
- Você parou de recusar caso bom por falta de agenda.
- O prazo deixou de depender de você lembrar.
- Existe pelo menos uma frente que anda sem a sua leitura diária.
Se nada disso mudou depois de seis meses, o problema costuma ser delegação, não capacidade — e a escada está descrita em delegar no escritório de advocacia.
Perguntas frequentes
Advogado recém-formado ou com experiência?
Recém-formado custa menos e exige mais do seu tempo; com experiência custa mais e produz antes. Se o gargalo é o seu tempo, o recém-formado piora a situação nos primeiros meses.
Dá para começar com meio período?
Dá, e costuma ser a transição mais segura. O risco é a pessoa ficar meio presente em tudo e responsável por nada — por isso o escopo precisa ser escrito.
Como definir a remuneração inicial?
Pela referência de mercado da sua região e pelo que o caixa sustenta por seis meses. Combinar participação em êxito futuro sem escrever a regra é a origem mais comum de briga.
E se eu contratar e a demanda cair?
Por isso o teste dos seis meses. Se a resposta for apertada, parceria por caso é o arranjo que resolve a demanda sem criar custo fixo.
Preciso de contrato escrito mesmo com associado?
Precisa, e é justamente onde o informal custa caro: divisão, saída, casos em andamento e clientela. Combinado verbal só parece suficiente enquanto ninguém sai.
Como o Adv3 trata isso
No Adv3, cada pessoa da equipe tem acesso próprio e papel definido, e prazos e tarefas nascem com responsável nominal — o que torna possível dividir trabalho sem dividir a confusão. Dá para ver quantos casos e quantos prazos estão com cada pessoa antes de decidir por mais uma contratação. O sistema não diz se está na hora de contratar; ele mostra onde o trabalho está concentrado hoje.