Quem vê o quê no escritório: permissões por papel

Segurança · · 5 min de leitura · Equipe Adv3

Quem vê o quê no escritório: permissões por papel

O princípio é dar a cada pessoa o acesso de que ela precisa para trabalhar, e nada além. Na prática isso significa quatro papéis — sócio, advogado, secretaria e estagiário —, financeiro restrito, e revisão de acesso sempre que alguém entra, muda de função ou sai. O risco maior não é o acesso mal-intencionado: é o acesso esquecido, de quem saiu há meses e continua entrando.

Quase todo escritório pequeno começa com todo mundo vendo tudo. Não por decisão: por ser mais rápido.

Funciona enquanto a equipe cabe numa sala. Deixa de funcionar no dia em que entra um estagiário, sai uma secretária, ou um cliente pergunta quem teve acesso ao processo dele — e a resposta é "todo mundo".

Quatro papéis em ordem decrescente de acesso: sócio vê tudo, incluindo financeiro e equipe; advogado vê os casos dele; secretaria vê agenda, atendimento e cobrança; estagiário vê só os casos em que atua

O princípio, em uma frase

Cada pessoa acessa o que precisa para fazer o trabalho dela, e nada além.

Isso não é desconfiança, e a LGPD trata como obrigação: controlar quem acessa dado pessoal é a medida que mais reduz risco com menos esforço. Também é a que menos custa — não exige ferramenta nova, exige decisão.

E tem um efeito prático que ninguém espera: menos acesso deixa o trabalho mais fácil. Quem vê só os próprios casos não perde tempo filtrando o que não é dele.

Os quatro papéis que resolvem

Papel Precisa ver Não precisa
Sócio Tudo: casos, equipe, financeiro, configuração
Advogado Os casos dele, agenda, prazos, documentos, clientes Faturamento do escritório, dados da equipe
Secretaria Agenda, atendimento, cadastro, cobrança do cliente Estratégia do caso, resultado financeiro do escritório
Estagiário Os casos em que atua, tarefas, documentos daqueles casos Financeiro, dados de outros clientes, configuração

Quatro papéis cobrem quase todo escritório pequeno. Estrutura mais elaborada que isso costuma ser complexidade que ninguém mantém.

O financeiro é o caso especial

É o acesso que mais precisa ser restrito e o que mais é dado por inércia.

Não é sigilo por vaidade: faturamento por cliente, honorário combinado e resultado do escritório são informações que mudam a relação dentro da equipe e que, vazadas, constrangem cliente. Uma coisa é a secretaria ver a cobrança daquele cliente para poder cobrar. Outra é ver quanto o escritório fatura.

Separar os dois é a divisão mais útil que existe: cobrança do caso é operação; resultado do escritório é gestão.

Os três momentos de revisar acesso

Quando alguém entra. Defina o papel antes do primeiro dia. Dar acesso total "por enquanto" produz o acesso que ninguém volta para reduzir.

Quando alguém muda de função. É o momento mais esquecido: o estagiário que virou advogado ganha acesso novo e mantém o antigo, e em dois anos ninguém sabe mais por que ele vê aquilo.

Quando alguém sai. No mesmo dia — não na semana seguinte. A lista é curta e precisa estar escrita antes de ser necessária:

  1. Revogar o acesso ao sistema.
  2. Reatribuir as tarefas e os prazos que eram dele, com dono novo.
  3. Trocar as senhas compartilhadas que ele conhecia.
  4. Encerrar o acesso ao e-mail e ao número de atendimento.
  5. Conferir a trilha de atividade dos últimos dias.

O item 4 é o que mais escapa quando o atendimento vive no celular pessoal: a pessoa sai com anos de conversa de cliente no aparelho, e não há acesso a revogar — só a conversa a perder.

Trilha de atividade: o complemento

Permissão define o que a pessoa pode fazer. A trilha registra o que ela fez.

As duas juntas resolvem o que nenhuma resolve sozinha: quem abriu aquele processo, quem alterou o valor do honorário, quem apagou o documento. Não é vigilância — é o que permite responder com precisão quando um cliente pergunta, e o que transforma discussão de memória em consulta a um registro.

Vale principalmente no cenário chato: alguém apagou algo por engano e ninguém lembra quem, quando nem o quê.

O erro que anula tudo

A senha compartilhada. Um login usado por três pessoas destrói de uma vez o controle de acesso e a trilha: não existe "quem fez", existe "alguém fez".

Costuma nascer de economia — um usuário a menos no plano — e custa exatamente o que se tentou evitar no primeiro incidente. Se o custo por usuário está pesando, o problema é o plano, não a solução.

Perguntas frequentes

Estagiário pode ver processo de cliente?

Pode ver os casos em que atua — é onde ele trabalha. O que não faz sentido é acesso ao acervo inteiro e ao financeiro. E vale lembrar que sigilo profissional alcança quem trabalha no escritório, não só o advogado.

Preciso disso sendo só eu e uma secretária?

Sim, e é barato: basta o financeiro do escritório ficar restrito. Com duas pessoas a divisão é simples, e ela já resolve o caso mais provável — o de a pessoa sair.

Como controlar acesso a documento específico?

Pela ficha do caso, não por pasta: quando o documento vive dentro do processo, quem tem acesso ao caso tem acesso ao documento, e a regra fica sendo uma só. Documento solto em drive é o que escapa de qualquer controle.

E os acessos a sistemas de tribunal?

Seguem o certificado digital de cada advogado e não se compartilham. O que o escritório controla é a informação que sai de lá para dentro do sistema dele — publicações, andamentos e documentos.

Trilha de atividade não gera clima ruim?

Costuma ser o contrário: quando existe registro, ninguém precisa ser acusado de memória. O clima ruim nasce da suspeita sem prova, não do log.

Como o Adv3 trata isso

No Adv3 o acesso é por papel — dono, advogado, secretaria e estagiário —, os dados de cada escritório são isolados por regra no próprio banco (não por filtro na tela), e existe trilha de quem fez o quê. Revogar o acesso de quem sai é uma ação só, e as tarefas dele podem ser reatribuídas sem retrabalho.

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