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Sentença extra petita, ultra e citra: como identificar o vício e qual recurso usar

Organização · 25 de outubro de 2026 · 5 min de leitura · Equipe Adv3

A sentença extra petita decide coisa diferente do que foi pedido, a ultra petita concede mais do que o pedido e a citra petita deixa de julgar um pedido. As três violam a congruência dos arts. 141 e 492 do CPC. A ultra se corrige pelo decote do excesso, a extra costuma levar à anulação do capítulo e a citra se resolve por embargos de declaração ou, na apelação, pelo julgamento direto do tribunal (art. 1.013, § 3º).

Neste artigo

  1. A regra da congruência
  2. As três figuras, lado a lado
  3. O que não é vício de congruência
  4. Sentença citra petita: embargos primeiro
  5. Sentença extra petita na apelação
  6. E depois do trânsito em julgado
  7. Como conferir a sentença sem perder nada
  8. Perguntas frequentes
  9. Como o Adv3 trata isso

O cliente ganhou, mas ganhou algo que não pediu. Ou ganhou mais do que pediu. Ou um dos pedidos simplesmente não foi julgado. Uma sentença extra petita, ultra ou citra é vício de congruência, e cada tipo tem um remédio diferente.

Comparação entre os três vícios da sentença: extra decide coisa diversa e leva à anulação do capítulo, ultra concede além do pedido e leva ao decote do excesso, citra deixa pedido sem julgamento e leva a embargos de declaração ou julgamento pelo tribunal

A regra da congruência

O art. 141 do Código de Processo Civil diz que o juiz decide o mérito nos limites propostos pelas partes, e o art. 492 completa: é vedado proferir decisão de natureza diversa da pedida e condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.

O pedido e a causa de pedir desenham a moldura. Fora dela, a decisão surpreende a parte contrária, que não teve chance de se defender daquilo, e por isso o vício não é mera formalidade.

As três figuras, lado a lado

Vício O que acontece Exemplo Correção usual
Extra Decide pedido ou fundamento diverso Pede rescisão, recebe revisão do contrato Anulação do capítulo
Ultra Concede além do pedido Pede R$ 10 mil de danos morais, recebe R$ 20 mil Decote do excesso
Citra (ou infra) Deixa de julgar um pedido Pede danos materiais e morais, só os materiais são julgados Embargos de declaração ou julgamento pelo tribunal

A sentença ultra petita é a mais fácil de consertar: o tribunal reduz a condenação ao limite do pedido e preserva o resto. A extra petita é mais grave, porque o que foi decidido não guarda relação com o que se discutiu.

O que não é vício de congruência

Antes de alegar, confira as exceções da própria lei:

  • Pedidos implícitos. O art. 322, § 1º, inclui no principal os juros legais, a correção monetária e as verbas de sucumbência, inclusive honorários, mesmo sem pedido expresso.
  • Prestações sucessivas. O art. 323 manda incluir na condenação as parcelas que vencerem durante o processo.
  • Interpretação do pedido. O art. 322, § 2º, manda considerar o conjunto da postulação e a boa-fé. O juiz que lê o pedido de forma razoável não decide fora dele.
  • Fungibilidade possessória. O art. 554 permite conceder a proteção possessória adequada mesmo que a ação proposta seja outra.

Alegar vício nesses casos gasta credibilidade com o tribunal.

Sentença citra petita: embargos primeiro

Pedido não julgado é omissão, e omissão é o terreno dos embargos de declaração (art. 1.022, II). O prazo é de cinco dias úteis, assunto de prazo dos embargos de declaração.

Se os embargos não resolverem, ou se a parte preferir ir direto à apelação, o art. 1.013, § 3º, III, autoriza o tribunal a julgar desde logo o pedido omitido, quando o processo estiver em condições de imediato julgamento. É a chamada teoria da causa madura, e ela evita que o processo volte inteiro à primeira instância.

Sentença extra petita na apelação

O mesmo § 3º, no inciso II, permite ao tribunal decretar a nulidade da sentença não congruente com os limites do pedido ou da causa de pedir e, estando o processo maduro, julgar o mérito em seguida. A apelação deve apontar com precisão qual capítulo extrapolou e por quê, comparando o dispositivo com o pedido da inicial.

Vale o cuidado com o prazo: a apelação continua sendo de quinze dias úteis, como explicado em prazo da apelação.

E depois do trânsito em julgado

Se o vício não foi atacado a tempo, a sentença transita em julgado com ele. Restaria a ação rescisória, nas hipóteses do art. 966, e o caminho é estreito. Na sentença citra petita, o pedido que não foi julgado não fica coberto pela coisa julgada e, em tese, pode ser proposto em nova ação, observada a prescrição.

Como conferir a sentença sem perder nada

Uma rotina curta de leitura evita a maior parte das surpresas:

  1. Liste os pedidos da inicial, numerados.
  2. Leia o dispositivo e marque qual pedido cada item responde.
  3. Sobrou pedido sem resposta: citra. Sobrou item sem pedido: extra. O valor passou do pedido: ultra.
  4. Decida entre embargos e apelação ainda dentro dos cinco dias.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre sentença extra petita e ultra petita?

A extra petita decide coisa diferente do que foi pedido; a ultra petita decide a coisa certa, mas concede mais do que o pedido.

Sentença citra petita e infra petita são a mesma coisa?

Sim. Os dois nomes descrevem a sentença que deixa de julgar um ou mais pedidos.

Juros e correção sem pedido expresso tornam a sentença ultra petita?

Não. O art. 322, § 1º, do CPC considera esses itens incluídos no pedido principal.

O tribunal pode julgar o pedido que o juiz esqueceu?

Pode, se o processo estiver em condições de imediato julgamento, pelo art. 1.013, § 3º, III.

A sentença ultra petita é anulada inteira?

Em regra, não. O tribunal decota o excesso e mantém a condenação no limite do pedido.

Como o Adv3 trata isso

O Adv3 traz a intimação da sentença pelo DJEN, calcula os cinco dias dos embargos e os quinze da apelação em dias úteis e leva as datas à agenda pelo botão "Agendar o prazo". A comparação entre pedido e dispositivo continua sendo leitura do advogado, e o sistema não aponta vício de congruência.

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