Sistema para departamento jurídico: por que a ferramenta do escritório não serve inteira
Gestão · · 5 min de leitura · Equipe Adv3
Um sistema para departamento jurídico precisa dar conta de coisas que o software de escritório não trata: a demanda que chega de outras áreas da empresa, os contratos em revisão, o risco provisionado para a contabilidade e o acompanhamento dos escritórios externos. A parte processual é parecida; o entorno é que muda.
Departamento jurídico e escritório de advocacia fazem trabalho parecido e vivem realidades diferentes. O escritório vende horas e resultado; o departamento responde a áreas internas, a um orçamento e à diretoria. Por isso um sistema para departamento jurídico não é o mesmo produto com outro nome.
Um sistema para departamento jurídico começa em quem pede
No escritório, o trabalho entra por um cliente que contrata. No departamento, ele entra por um colega de outra área que precisa de algo: quase sempre por e-mail, mensagem ou corredor.
| No escritório | No departamento |
|---|---|
| O caso entra pelo contrato | A demanda entra por outra área da empresa |
| O honorário é a receita | O custo é o que se controla |
| O cliente é externo | O "cliente" é o time comercial, RH, compras |
| Mede-se conversão e inadimplência | Mede-se prazo de resposta e volume por área |
| Processo é o objeto central | Contrato costuma ser o maior volume |
Do outro lado do balcão, o escritório que atende essas empresas tem exigências próprias: consultivo sem número de processo, disputa por edital como em software para advogado de licitações, contrato com prazo e cliente que é grupo de CNPJs, reunidas em software para advogado empresarial.
A consequência prática: sem um canal de entrada organizado, o departamento vive de fila invisível, e a diretoria só percebe o gargalo quando algo trava um negócio. Quando parte dessa fila vem de um canal de denúncia, o problema piora: o relato tem prazo próprio e não pode esperar na mesma pilha.
Contrato costuma pesar mais que processo
Na maioria das empresas, o departamento revisa muito mais contrato do que conduz processo. E contrato tem vida própria: versão, prazo de vigência, renovação automática, aviso prévio de rescisão, garantia.
O que o sistema precisa guardar:
- Quem pediu a revisão e quando; quando foi devolvido.
- Versões, com o que mudou entre elas.
- Datas de vigência e renovação, com aviso antes, não depois.
- A assinatura, e o documento final acessível a quem precisa.
A parte de assinatura segue as mesmas regras de qualquer documento eletrônico, descritas em assinatura eletrônica de documentos.
Risco provisionado é conversa com a contabilidade
Como classificar e revisar esse risco está em provisionamento de processos.
Aqui está a exigência que nenhum software de escritório atende bem: a empresa precisa classificar cada processo em provável, possível ou remoto, com valor estimado, para fechar balanço.
Isso significa que a ficha do processo precisa de campos de valor envolvido, classificação de risco e data da última reavaliação, e que alguém tem que reavaliar periodicamente. Um sistema que não guarda o histórico dessa classificação deixa o jurídico sem como explicar por que a provisão mudou.
Do lado de quem atende a empresa, a mesma exigência aparece em software para advogado tributarista. E quando o devedor entra em recuperação, a provisão muda de natureza: o crédito passa a depender do plano e dos prazos que correm no stay period.
Acompanhar escritório externo é metade do trabalho
Boa parte do contencioso é conduzida por bancas contratadas. O departamento precisa saber, sem pedir por e-mail:
- Em que fase está cada caso e o que aconteceu no mês.
- Quanto já se gastou com cada escritório, e contra qual previsão.
- Quais prazos estão próximos e quem está responsável do lado de lá.
É o mesmo problema que o escritório tem ao trabalhar com correspondente jurídico, invertido: aqui você é quem contrata, e vale o que a terceirização do jurídico diz sobre medir serviço em vez de avaliá-lo por impressão. E vale a mesma solução: combinado escrito, retorno registrado, prazo com dono.
O relatório que a diretoria pede
Diretoria não pergunta quantas petições foram feitas. Pergunta quanto custa o contencioso, qual o risco provisionado, quanto tempo o jurídico leva para responder e onde estão os gargalos.
São perguntas de saúde, não de movimento: a mesma distinção discutida em indicadores do escritório de advocacia. Se o dado não nasce estruturado no dia a dia, o relatório mensal vira um trabalho de compilação manual que consome o tempo de quem deveria estar advogando.
O que é igual dos dois lados
Nem tudo muda. Prazo com responsável nominal, documento ligado ao caso, histórico de atendimento e controle de acesso por papel valem igual, inclusive as regras de permissões e acesso da equipe, que num departamento têm um agravante: colegas de outras áreas costumam pedir acesso a coisas que não deveriam ver.
Para a parte processual, que é onde escritório e departamento se parecem, valem as perguntas de como escolher um software jurídico.
Perguntas frequentes
Dá para usar software de escritório num departamento jurídico?
Dá, para a parte processual. O que vai faltar é entrada de demanda interna, gestão de contratos com vigência e a classificação de risco para provisão.
E se a empresa já tem um sistema de gestão corporativo?
Ele costuma resolver contrato e compras, mas não conhece prazo processual nem publicação. Muitos departamentos acabam com os dois, e o cuidado é definir qual é a fonte de cada informação.
Quem deve ter acesso ao sistema jurídico da empresa?
O time jurídico, com acesso completo, e as outras áreas apenas ao que solicitaram. Assunto sensível, trabalhista, investigação, societário, costuma exigir restrição mesmo dentro do jurídico.
Como medir o tempo de resposta do departamento?
Registrando a data em que a demanda entrou e a data em que foi devolvida. Sem esses dois carimbos, qualquer número de produtividade é chute.
O departamento precisa controlar honorário?
Precisa controlar custo: honorário pago às bancas, custas, perícia e depósito. É o equivalente da receita no escritório, do lado oposto da conta.
Como o Adv3 trata isso
O Adv3 foi feito para escritório de advocacia, e é honesto dizer o que isso significa: processo, prazo, cliente, documento, agenda e a conversa com o cliente funcionam bem, inclusive para bancas que atendem empresas. O que ele não oferece hoje é fluxo de demanda interna, gestão de vigência contratual, controle do custo do contencioso e classificação de risco para provisão contábil: se é isso que está no centro da sua operação, vale avaliar uma ferramenta de departamento jurídico.
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