Histórico de WhatsApp do cliente: como a conversa deixa de morar no celular de alguém
Atendimento · · 5 min de leitura · Equipe Adv3
O histórico de WhatsApp do cliente só serve ao escritório quando está num número do escritório, ligado ao cadastro daquela pessoa, e quando o que decide alguma coisa sai da conversa e vai para o caso: o anexo para os documentos do processo, a decisão para o registro de atendimento. Conversa que mora no celular pessoal de quem atendeu sai do escritório junto com ele.
O advogado que cuidava do caso saiu, e com ele saiu o histórico de WhatsApp do cliente: dois anos de conversa, a foto do contrato, o áudio em que a pessoa autorizou o acordo. O escritório tem o processo, mas não tem o que foi dito sobre ele.
Por que o histórico de WhatsApp do cliente se perde
Não se perde por descuido de ninguém. Perde-se porque mora no lugar errado, e o lugar define quem fica com ele quando alguma coisa muda.
| Onde a conversa mora | Quando a pessoa sai ou troca de aparelho | Quem mais consegue ler |
|---|---|---|
| Celular pessoal de quem atendeu | Vai embora com ela | Ninguém |
| Número do escritório num aparelho da mesa | Depende do backup daquele aparelho | Quem estiver com ele na mão |
| Número do escritório dentro do sistema | Fica no escritório | Quem tem permissão para aquele módulo |
A primeira linha é a mais cara. Além de levar a história embora, ela deixa o escritório sem como responder "quem autorizou isso?". O argumento completo para tirar a conversa do número pessoal está em WhatsApp no escritório de advocacia.
Ligar a conversa ao cliente começa pelo número certo
O elo natural entre a mensagem que chega e o cadastro é o telefone. Por isso o dado mais importante do cadastro, para o atendimento, é o número que a pessoa de fato usa para falar com o escritório, e não o fixo de casa que ela informou na primeira consulta.
Três situações pedem atenção:
- Número desconhecido. Alguém escreve de um número novo. Antes de criar outro cadastro, confira se não é o mesmo cliente com celular trocado.
- Número compartilhado. Mãe e filho, casal, sócios: dois cadastros com o mesmo telefone confundem de quem é a conversa.
- Número que mudou. O cliente avisa "troquei de número". Quem leu atualiza o cadastro no mesmo dia, pela régua de cadastro de clientes na advocacia.
A conversa é da pessoa; o anexo é do caso
Uma conversa costuma misturar assuntos: o processo trabalhista, a dúvida sobre o inventário da mãe, o pedido de segunda via do contrato. Por isso ela se prende a quem conversa, e o que chega por ela precisa ser levado ao caso a que pertence.
- Documento recebido vai para os arquivos daquele processo, com o nome no padrão do escritório.
- Decisão tomada ("pode fazer o acordo até tal valor") vira registro com data no caso, como descreve registro de atendimento ao cliente.
- Áudio que decide alguma coisa merece transcrição, porque ninguém reouve áudio para achar uma frase. O assunto está em transcrição de áudio.
A conversa fica como está, inteira. O que muda é que ninguém precisa rolar dois anos de mensagens para achar a autorização: ela está no caso.
Quando o histórico vira prova
Às vezes a conversa deixa de ser só atendimento e passa a interessar ao processo: a confissão da outra parte, o recibo mandado por foto, a combinação que o réu nega. O CPC trata disso em dois artigos que vale conhecer:
- Art. 422: a reprodução, como print e foto, faz prova se a outra parte não impugnar a conformidade com o original. Impugnada, a imagem digital pede autenticação ou perícia.
- Art. 384: a ata notarial pode atestar a existência de um fato, inclusive dados em arquivos eletrônicos.
O PDF da conversa guardado no caso é ótimo para o registro interno e para a prestação de contas. Quando a prova é central e vai ser contestada, a ata lavrada em cartório é o caminho mais seguro. Os cuidados com integridade estão em prova digital e cadeia de custódia.
O que não fazer com o histórico
- Apagar para "limpar" a conversa. A mensagem apagada pode ser justamente a que o escritório vai precisar mostrar.
- Atender o cliente num grupo da família. Cada parente lê o que foi dito para um, e o sigilo vira assunto de grupo.
- Dar orientação importante só por áudio. Se decidiu, escreva uma linha confirmando.
- Guardar print solto na galeria. Imagem fora do caso é imagem que ninguém acha.
Quem pode ler a conversa
O histórico tem dado pessoal e, muitas vezes, dado sensível, e está coberto pelo sigilo profissional. A regra é a mesma de qualquer parte do caso: lê quem trabalha nele, com permissão dada por módulo, e não quem tem a senha do celular. Quando o atendimento é feito por mais de uma pessoa, vale combinar também quem responde, para o cliente não receber duas respostas diferentes à mesma pergunta.
Perguntas frequentes
Posso usar o WhatsApp pessoal para atender cliente?
Pode, e é a opção que mais perde histórico. Quando a pessoa sai ou troca de aparelho, a conversa vai junto, e o escritório fica sem o que foi dito.
Como achar uma conversa antiga do cliente?
Pelo nome de quem conversa. Com a conversa ligada ao cadastro, ela aparece identificada pelo cliente, e não pelo apelido que alguém salvou no celular anos atrás.
Print de conversa vale como prova?
Vale como reprodução, e a outra parte pode impugnar. Quando isso é provável, a ata notarial dá mais segurança.
O que fazer quando o cliente manda documento pelo WhatsApp?
Confirmar o recebimento no mesmo dia e guardar o arquivo nos documentos do processo a que ele pertence, e não deixar parado na conversa.
Como o Adv3 trata isso
No Adv3, o WhatsApp do escritório fica no módulo de Conversas, e cada conversa se liga ao cliente pelo telefone do cadastro, ou à mão quando o número não bate. Ao lado da conversa aparece o painel daquele cliente, com os processos ativos, as tarefas em aberto, os honorários e os últimos documentos. O anexo recebido vai para o armazenamento ligado ao cliente ou ao processo, e a conversa inteira pode virar PDF guardado no caso. O que ele não faz: a conversa se liga à pessoa, e não a um processo específico, e não há busca pelo texto das mensagens, só pelo nome ou número da conversa.
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