Backup no escritório de advocacia: o que fazer antes de precisar

Segurança · · 4 min de leitura · Equipe Adv3

Backup no escritório de advocacia: o que fazer antes de precisar

Backup só existe se já tiver sido restaurado alguma vez. Guarde três cópias, em dois meios diferentes, com uma fora do escritório; proteja o que é insubstituível (contratos, procurações, documentos de cliente, prazos) e teste a restauração a cada semestre. Acesso é parte da continuidade: se só uma pessoa tem a senha de algo, aquilo já é um ponto único de falha.

Backup é assunto que parece de TI e é de continuidade do negócio. A pergunta prática não é "eu tenho backup?", e sim: se o computador do escritório sumisse hoje, quanto tempo até você voltar a trabalhar?

Se a resposta for "não sei", vale ler o resto.

Os quatro cenários que acontecem de verdade

Não é ataque sofisticado. É isto:

Equipamento perdido ou roubado. Notebook em deslocamento, sala arrombada.

Ransomware. Arquivo criptografado por golpe simples, quase sempre por anexo. O detalhe cruel: ele criptografa também o backup ligado à máquina.

Erro humano. Alguém apaga a pasta errada, ou sobrescreve a versão final do contrato.

Saída de pessoa. Quem sai leva o acesso, ou some com senhas que só ela tinha. Não é maldade: é falta de combinação prévia.

O que precisa estar protegido

Nem tudo tem o mesmo peso. Priorize pelo que é insubstituível:

Prioridade O quê
Crítico Contratos assinados, procurações, documentos entregues pelo cliente
Crítico Prazos e agenda — perder isso é risco processual imediato
Alto Peças e documentos do processo produzidos por você
Alto Financeiro: o que foi combinado e o que foi pago
Médio E-mails e conversas com cliente
Baixo Modelos e material de apoio, refazíveis

O que está em processo eletrônico pode ser recuperado do tribunal, com trabalho. O que só existe no seu computador, não.

A regra prática

A regra clássica continua valendo, e é fácil de lembrar: três cópias, em dois tipos de mídia, uma delas fora do escritório.

Traduzindo para a rotina:

  1. A cópia de trabalho, no computador ou no sistema.
  2. Uma cópia em nuvem, que sincroniza sozinha — a intervenção humana é o que falha.
  3. Uma cópia desconectada, em disco externo que não fica permanentemente ligado. É ela que sobrevive ao ransomware, justamente por estar fora do alcance.

Sistema em nuvem cobre boa parte disso por natureza, mas não dispensa a pergunta: você consegue exportar seus dados de lá? Depender de um fornecedor sem saída é outro tipo de ponto único de falha.

Backup que nunca foi restaurado não é backup

É a parte que quase ninguém faz. Um backup pode estar rodando há dois anos e gravando pasta vazia, e ninguém descobre até o dia em que precisa.

A cada seis meses, faça o teste: escolha um arquivo antigo, restaure, abra. Leva dez minutos e é a única prova que existe.

Acesso também é continuidade

Se apenas uma pessoa tem a senha do e-mail principal, do domínio ou do banco, o escritório tem um ponto único de falha com pernas.

Duas medidas resolvem: um cofre de senhas com o que é do escritório (separado do que é pessoal), e uma pessoa a mais com acesso aos serviços críticos. Não é desconfiança: é o que permite trabalhar quando alguém está de férias, doente ou saiu.

Isso vale também para a segunda etapa de autenticação: 2FA amarrado ao celular de uma única pessoa vira bloqueio quando o celular quebra.

Perguntas frequentes

Com que frequência devo fazer backup?

O critério é: quanto trabalho você aceita perder? Se a resposta é "um dia", backup diário. Para o que muda o tempo todo, sincronização contínua em nuvem é o mais próximo de risco zero.

Nuvem é segura para dado de cliente?

Costuma ser mais segura que o computador da sala — que não tem criptografia, controle de acesso nem redundância. O que muda a resposta é qual nuvem e sob que contrato, ponto que a LGPD cobra do escritório na escolha do fornecedor.

Backup em pendrive resolve?

Como cópia desconectada eventual, ajuda. Como estratégia única, não: pendrive se perde, corrompe e raramente é atualizado com disciplina.

E se eu for vítima de ransomware?

Não pague antes de verificar as cópias — e isole a máquina da rede imediatamente, para não alcançar o que está conectado. É também um incidente com dados pessoais, o que traz obrigações próprias de comunicação.

Quanto tempo guardar os dados?

Enquanto houver motivo: prazos legais, prescricionais, possibilidade de questionamento. Guardar tudo para sempre por não ter decidido nada é o oposto de política de retenção — ver escritório sem papel.

Como o Adv3 trata isso

No Adv3 os dados de cada escritório ficam isolados por regra no próprio banco, com redundância da infraestrutura, e a exportação integral está disponível a qualquer momento — inclusive para quem quiser manter a própria cópia fora da plataforma, que é a recomendação deste texto.

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