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Linha do tempo do caso: reconstruir o que aconteceu sem depender da memória de ninguém

Organização · 13 de setembro de 2026 · 5 min de leitura · Equipe Adv3

A linha do tempo do caso é o histórico em ordem cronológica do que aconteceu: o ato processual, a conversa com o cliente, o documento recebido e a decisão tomada pelo escritório. Ela resolve dois momentos caros, o telefonema em que o cliente pergunta o que houve e a passagem do caso para outra pessoa. O que a inviabiliza é o registro espalhado, com o processo num lugar, a conversa no celular de alguém e a decisão na memória.

Neste artigo

  1. O que é a linha do tempo do caso
  2. Os dois momentos em que ela paga a conta
  3. O que registrar, e o que não
  4. O inimigo é o registro espalhado
  5. Ela é o que torna possível a prestação de contas
  6. O caso parado também tem história
  7. Como montar a sua sem projeto de implantação
  8. Perguntas frequentes
  9. Como o Adv3 trata isso

O cliente liga perguntando por que o caso está parado desde março. A resposta existe, e está dividida entre o sistema do tribunal, o WhatsApp de uma advogada e a lembrança de quem atendeu: a linha do tempo do caso é o que junta isso num lugar só.

Linha do tempo de um caso, unindo atos do processo, conversas e documentos em ordem cronológica, com o ponto em que o registro espalhado quebra a história

O que é a linha do tempo do caso

É a história do processo contada em ordem, com três tipos de evento misturados:

  • O que o processo fez: distribuição, citação, decisão, sentença.
  • O que o escritório fez: peça protocolada, diligência, tentativa de acordo.
  • O que aconteceu com o cliente: documento entregue, autorização dada, reunião realizada.

Os três juntos explicam o caso. Só o primeiro explica o processo, e é por isso que a consulta ao sistema do tribunal não basta para responder ao cliente.

Os dois momentos em que ela paga a conta

Momento Sem linha do tempo Com linha do tempo
Cliente liga perguntando Procura em três lugares, e liga de volta Responde na hora
Caso muda de responsável A pessoa nova reconstrói do zero Lê e assume
Reclamação sobre atendimento Palavra contra palavra Datas
Prestação de contas Reconstrução de memória Registro pronto

A segunda linha é a mais cara em dinheiro. Passagem de caso mal feita é retrabalho, erro e cliente irritado, e ela acontece toda vez que alguém sai, situação descrita em assumir carteira de outro advogado.

O que registrar, e o que não

Registre o que decide ou muda alguma coisa:

  • Orientação dada ao cliente, com data.
  • Autorização recebida, especialmente para acordo ou desistência.
  • Documento entregue e documento pedido e não entregue.
  • Tentativa de contato sem sucesso, que é o que sustenta a conversa depois.
  • Decisão interna, do tipo "optamos por não recorrer, por isso".

Não registre o que é ruído: "liguei, não atendeu, ligo amanhã" três vezes por semana polui a história e esconde o que importa. E nunca registre juízo de valor sobre o cliente, porque o registro sobrevive a quem escreveu e pode ser lido por ele, pelo que está em registro de atendimento ao cliente.

O inimigo é o registro espalhado

Cada pedaço em um lugar diferente é o que impede a linha do tempo de existir. Os quatro lugares clássicos:

  1. O sistema do tribunal, com os atos processuais.
  2. O WhatsApp pessoal de quem atende, com as conversas, problema descrito em WhatsApp para advogados.
  3. A caixa de e-mail de alguém, com as autorizações, tratada em caixa de entrada compartilhada.
  4. A memória de quem cuidou, que é o pior deles e o mais usado.

Não é preciso unificar tudo num dia. Basta que o caso tenha um lugar, e que quem registrar algo relevante o coloque lá.

Ela é o que torna possível a prestação de contas

Advogado presta contas ao cliente, e isso não é boa vontade: é dever profissional, e aparece com força quando há dinheiro envolvido, valor levantado ou acordo cumprido. A linha do tempo é o rascunho pronto dessa prestação, e o formato final está em prestação de contas ao cliente.

É também o que alimenta o relatório periódico sem virar trabalho novo, descrito em relatório mensal para o cliente.

O caso parado também tem história

Processo sem movimentação por meses parece não ter o que registrar, e é justamente ali que o registro vale mais: a tentativa de intimação frustrada, a diligência pedida, a espera por perícia. Sem isso, o cliente lê o silêncio como abandono, e o escritório não tem como mostrar o contrário. O que fazer com caso parado está em processo parado.

Como montar a sua sem projeto de implantação

Não é preciso reorganizar o escritório para ter história de caso. Três hábitos bastam, e todos cabem na rotina de quem já está ocupado:

  1. Um lugar por caso, que já existe: o cadastro do processo. Tudo o que for registrado vai para lá, e não para uma pasta paralela.
  2. Registro no momento, em duas linhas. "Cliente autorizou acordo de 12 mil, por telefone" leva dez segundos e vale por uma reunião futura.
  3. A revisão na passagem. Quando um caso muda de responsável, quem entrega escreve o resumo do que está pendente. É o único momento em que vale gastar mais que dois minutos.

Escritório que faz os três descobre um efeito colateral bom: a resposta ao cliente fica mais rápida, e a sensação de abandono, que é a reclamação mais comum contra advogado, praticamente desaparece.

Perguntas frequentes

Isso não é só o andamento do processo?

Não. O andamento é o que o tribunal registra, e ele não sabe da conversa em que o cliente autorizou o acordo nem do documento que ele prometeu trazer e não trouxe.

Quem deve alimentar?

Quem faz a coisa, no momento em que ela acontece. Registro feito no fim da semana por outra pessoa perde detalhe e data, que é justamente o que se quer guardar.

O cliente pode ver a linha do tempo?

Parte dela, e é uma decisão do escritório. O que costuma funcionar é dar ao cliente a visão dos atos e das datas, mantendo interna a anotação de estratégia, na lógica de como está meu processo.

Por quanto tempo guardar?

Junto com o resto do caso, seguindo a mesma regra de guarda e descarte do acervo, descrita em arquivamento de processos encerrados.

Como o Adv3 trata isso

No Adv3 o caso reúne o que costuma estar espalhado: andamentos do processo, documentos com versões, conversas de WhatsApp e e-mails ligados àquele cliente, compromissos na agenda e os lançamentos financeiros daquele processo. Quem abre o caso vê a história em vez de procurar por ela. O que ele não faz é escrever a linha do tempo sozinho: o que foi decidido, autorizado ou combinado só entra se alguém registrar, e é esse hábito que decide se a história existe.

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