Migrar de sistema jurídico — como trocar de fornecedor sem parar o escritório

Organização · · 5 min de leitura · Equipe Adv3

Migrar de sistema jurídico — como trocar de fornecedor sem parar o escritório

Para migrar de sistema jurídico, exporte tudo antes de avisar que vai sair, suba só o que está ativo, defina uma data de corte a partir da qual nada nasce no sistema velho e mantenha o acesso antigo em leitura por um período. O que faz a troca fracassar não é o volume de dados: é rodar os dois em paralelo sem data para acabar.

Trocar de fornecedor é diferente de sair da planilha. Aqui já existe um sistema com anos de cadastro dentro, e a decisão vem quase sempre acompanhada de insatisfação — o que costuma levar a correr. Migrar de sistema jurídico com pressa é como se perde dado que não volta.

Fluxo da migração em cinco etapas: exportar antes de avisar, escolher o que sobe, data de corte, período de leitura no sistema antigo e conferência, com alerta na exportação e na data de corte

Migrar de sistema jurídico começa pela exportação

A ordem importa. Peça a exportação completa enquanto você ainda é cliente satisfeito, antes de qualquer conversa sobre cancelamento. Não é desconfiança generalizada: é que o processo de saída costuma envolver retenção, prazos de contrato e, às vezes, um suporte menos disposto.

O que precisa vir, e o que costuma faltar, está em exportar dados do sistema jurídico. O resumo: planilha das listas e os arquivos. Exportação sem os documentos é meia exportação, e é a metade insubstituível.

Guarde essa exportação fora do sistema novo também. Ela é o seu seguro até a conferência terminar.

Segundo: nem tudo sobe

A tentação é migrar dez anos de história. Ela é a causa número um de migração que morre no terceiro dia.

Sobe agora Fica para depois Não sobe
Processos ativos Casos encerrados no último ano Acervo morto
Clientes desses processos Clientes inativos Contato sem caso
Prazos em aberto Histórico antigo de atendimento Rascunho e cópia
Contratos vigentes Financeiro já quitado Relatório antigo

O acervo encerrado continua existindo na exportação que você guardou. Ele não precisa estar no sistema novo para ser consultável — precisa estar achável, e um arquivo organizado resolve isso. É o mesmo critério de arquivamento de processos encerrados.

Terceiro: a data de corte

Escolha um dia e trate como regra: a partir daqui, nada nasce no sistema antigo. Caso novo, prazo novo, documento novo — tudo no novo, mesmo que o antigo ainda esteja pago.

Sem data de corte, os dois sistemas ficam pela metade e nenhum é confiável. Com data de corte, o antigo vira consulta e para de crescer no mesmo dia.

É a mesma regra que sustenta a saída da planilha, descrita em sair da planilha para um sistema jurídico — e funciona pelo mesmo motivo.

Quarto: mantenha o acesso antigo em leitura

Antes de cancelar, confira se o fornecedor antigo oferece um período de leitura depois do fim da assinatura, e por quanto tempo. Se não oferecer, a exportação guardada passa a ser a única cópia — e aí ela precisa ser conferida antes, não depois.

Um mês de sobreposição paga custa pouco e compra tranquilidade. Cancelar no mesmo dia da migração é economia que costuma sair cara.

Quinto: a conferência que ninguém faz

Migração parece pronta e quase nunca está. Confira, por amostragem, dez casos ativos escolhidos ao acaso:

  1. Partes, número e vara conferem?
  2. Os prazos em aberto vieram, com data e responsável?
  3. Os documentos abrem — e são os certos?
  4. O financeiro do caso bate com o que era devido?
  5. O histórico de atendimento veio, ou virou uma coluna de texto solta?

Item 3 é o que mais falha: o nome do arquivo migra e o conteúdo não. Descobrir isso com o sistema antigo ainda no ar é aborrecimento; descobrir depois é perda.

A equipe decide se a troca pega

Migração é técnica; adoção é humana. A parte que faz o sistema novo ser usado — começar por quem mais sofre, treinar com caso real, revisar o que ficou mais lento — está em implantar um sistema jurídico na equipe. Sem ela, o escritório termina com dois sistemas e uma planilha.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva migrar de sistema jurídico?

Depende do que você decide subir. Com processos ativos apenas, costuma caber numa semana de trabalho normal. Migrar acervo inteiro é projeto, e raramente vale.

O fornecedor novo faz a migração?

Muitos fazem, às vezes cobrando à parte. Vale aceitar — e conferir por amostragem mesmo assim, porque quem conhece os casos é você.

Posso ficar sem sistema por alguns dias?

Não é necessário e não é recomendável. A data de corte resolve: o antigo vira consulta no mesmo dia em que o novo começa a receber.

E se a exportação do sistema antigo for ruim?

Peça por escrito e insista antes de cancelar. Depois do fim do contrato, a disposição do outro lado diminui — e o dado é seu.

Vale migrar por causa de preço?

Vale se a diferença cobrir o custo da troca — que inclui seu tempo e o da equipe. A conta é a de quanto custa um software jurídico, com a equipe inteira dentro.

Como o Adv3 trata isso

No Adv3 dá para começar pelos casos ativos e deixar o resto entrar quando cada processo voltar a se mexer, o que é o que torna a troca viável sem mutirão. A exportação dos seus dados fica disponível enquanto a conta existir — inclusive para sair daqui, se um dia for o caso. O que o sistema não faz é adivinhar o que o fornecedor anterior deixou de exportar: a conferência por amostragem continua sendo sua.

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