Como cobrar consulta jurídica: valor, momento do pagamento e o que entregar
Financeiro · · 5 min de leitura · Equipe Adv3
Cobrar consulta jurídica exige três decisões: o valor, com a tabela de honorários da seccional como referência mínima; o momento, de preferência antes do atendimento; e a entrega, que precisa ser concreta, como um resumo por escrito com a orientação e os próximos passos. Se a pessoa contratar o caso, o escritório pode abater o valor dos honorários, desde que isso esteja combinado por escrito.
O telefone toca, a pessoa quer "só uma orientação rápida", e meia hora depois o advogado deu um parecer inteiro de graça. Saber como cobrar consulta jurídica não é uma questão de coragem: é de regra clara, comunicada antes, com um formato que o cliente entende como serviço.
Por que cobrar consulta jurídica
A orientação é o trabalho do advogado. Quem dá a resposta de graça entrega o que tem de mais valioso, e o cliente sai sem perceber que recebeu um serviço. O Estatuto da Advocacia, no art. 22, assegura ao advogado os honorários convencionados, e a tabela de honorários de cada seccional da OAB costuma trazer valor de referência para consulta, que funciona como piso.
Há também a questão ética. A oferta sistemática de atendimento gratuito para atrair cliente pode ser lida como captação indevida ou aviltamento de honorários, conforme o entendimento da seccional. Atender gratuitamente quem não pode pagar, de forma pontual, é outra coisa, e tem regras próprias, descritas em advocacia pro bono.
Quanto cobrar
O ponto de partida é a tabela da seccional, explicada em tabela da OAB de honorários. Acima dela, o valor depende de fatores que o próprio advogado controla:
| Fator | Efeito no valor |
|---|---|
| Área e complexidade | Direito empresarial e tributário costumam valer mais que orientação de rotina |
| Duração prevista | Meia hora e duas horas não podem ter o mesmo preço |
| Análise prévia de documentos | Ler contrato ou processo antes da reunião é trabalho adicional |
| Entrega por escrito | Resumo com orientação justifica valor maior que só a conversa |
| Urgência | Atendimento no mesmo dia pode ter acréscimo |
O método completo de chegar ao número, a partir de custo e tempo, está em como precificar serviços advocatícios.
Quando cobrar: antes, e não depois
Cobrar depois da reunião é o caminho mais comum e o que mais falha. A pessoa ouviu a orientação, achou que já resolveu, e o pagamento vira constrangimento. O fluxo que funciona:
- Informe o valor no primeiro contato, antes de marcar o horário, por escrito.
- Peça o pagamento antes, por Pix ou transferência, com a confirmação como condição do agendamento.
- Diga o que está incluído: duração, análise de documentos e se haverá resumo escrito.
Quem recebe por Pix precisa de rotina para conferir e registrar cada entrada, como descrito em receber honorários por Pix.
O que entregar para a cobrança fazer sentido
O cliente aceita pagar quando sai com algo nas mãos. Um resumo curto, enviado no mesmo dia, com três partes, resolve:
- O que foi relatado, em linguagem simples.
- A orientação, com as opções e os riscos de cada uma.
- Os próximos passos, inclusive o que fazer se decidir contratar.
Esse documento protege também o advogado, porque registra o que foi dito e o que não foi prometido. A estrutura de um bom primeiro atendimento está em primeira consulta com cliente.
Abater o valor se o cliente contratar
Uma prática comum é descontar o valor pago dos honorários do caso, se o cliente contratar em determinado prazo. Funciona como incentivo e reduz a resistência ao pagamento inicial. A condição precisa estar escrita: prazo para contratar, valor abatido e de qual parcela.
Atendimento por vídeo e por mensagem
A orientação por videochamada segue as mesmas regras de valor e pagamento, com a vantagem de dispensar deslocamento. O que não funciona é a orientação por mensagem de texto sem combinação prévia: vira conversa longa, sem início e sem fim, e ninguém paga por ela. Se o escritório quiser oferecer atendimento por mensagem, ele precisa ter formato, prazo de resposta e preço definidos.
Registrar cada atendimento pago
Cobrar é metade do trabalho; a outra metade é saber, no fim do mês, quantos atendimentos foram pagos, quantos viraram contrato e quanto entrou. Sem registro, o escritório não descobre se o valor está alto demais, porque ninguém paga, ou baixo demais, porque todos pagam sem hesitar. Uma linha por atendimento, com data, valor, forma de pagamento e se o caso foi contratado depois, basta para responder essas perguntas. Com alguns meses de histórico, a taxa de conversão do atendimento em contrato passa a orientar o preço melhor do que qualquer palpite, e mostra também se o abatimento nos honorários está de fato ajudando a fechar.
Perguntas frequentes
Preciso emitir nota fiscal da consulta?
Sim, como qualquer serviço prestado pelo escritório, conforme o regime tributário e o município. A emissão segue a rotina descrita no artigo sobre nota fiscal de honorários.
Posso cobrar valor diferente para clientes antigos?
Pode. A política de preço é do escritório, desde que respeite o piso de referência da seccional e seja comunicada com clareza.
E se a pessoa não comparecer depois de pagar?
A política de remarcação e reembolso deve ser informada antes do pagamento. Sem ela, cada caso vira negociação.
Atendimento gratuito para familiares é proibido?
Não. O problema ético está na oferta de gratuidade como forma de captação, não no atendimento pontual a pessoas próximas.
Como o Adv3 trata isso
No Adv3, o valor do atendimento pode ser lançado no Financeiro como receita ligada ao cliente, com vencimento, forma de pagamento e comprovante anexado, e a reunião vira compromisso na agenda. O resumo escrito fica no Armazenamento, na ficha do cliente. O sistema não emite cobrança nem gera Pix: a baixa é dada por uma pessoa, depois de conferir o recebimento.
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