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Litispendência e coisa julgada: como reconhecer a ação repetida

Gestão · 30 de setembro de 2026 · 6 min de leitura · Equipe Adv3

Há litispendência quando se repete ação que está em curso, e coisa julgada quando se repete ação já decidida por decisão transitada em julgado (art. 337, §§ 3º e 4º, do CPC). Nos dois casos a ação é a mesma se tiver as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. O reconhecimento leva à extinção sem resolução do mérito, e o juiz pode conhecer de ofício.

Neste artigo

  1. O que o CPC chama de ação repetida
  2. Como conferir os três elementos
  3. Litispendência e coisa julgada: qual a diferença na prática
  4. Como agir, do lado do réu e do lado do autor
  5. O juiz pode reconhecer sozinho
  6. E a conexão, que é parecida?
  7. E se a decisão ofender a coisa julgada?
  8. Perguntas frequentes
  9. Como o Adv3 trata isso

Litispendência e coisa julgada respondem à mesma pergunta: esta ação já existe? Um cliente chega com uma sentença contrária e quer "entrar de novo"; outro foi citado em duas comarcas por causa do mesmo contrato. A resposta decide se o processo segue, se é extinto e quem paga as custas.

Comparação entre litispendência e coisa julgada: a primeira exige ação anterior em curso, a segunda exige ação anterior decidida com trânsito em julgado; em ambas valem as mesmas partes, causa de pedir e pedido

O que o CPC chama de ação repetida

O art. 337 do CPC põe a litispendência e a coisa julgada entre as matérias que o réu alega antes de discutir o mérito (incisos VI e VII). Os parágrafos seguintes dão as definições:

  • Litispendência (§ 3º): repete-se ação que está em curso.
  • Coisa julgada (§ 4º): repete-se ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado.
  • Ação idêntica (§ 2º): mesmas partes, mesma causa de pedir e mesmo pedido.

Essa é a chamada tríplice identidade. Basta que um dos três elementos seja diferente para que as ações não sejam idênticas, e o caminho passa a ser outro, em geral a conexão.

Como conferir os três elementos

Elemento A pergunta a fazer Onde costuma enganar
Partes São as mesmas pessoas, na mesma posição? Sucessor, cedente e cessionário, litisconsorte que entra depois
Causa de pedir O fato e o fundamento jurídico são os mesmos? Contrato igual com parcela diferente, período diferente
Pedido Pede-se o mesmo bem da vida? Pedido menor dentro de pedido maior, pedido alternativo

A conferência exige ler as duas petições lado a lado. A ficha do processo com número, partes e pedido resumido, mantida atualizada, poupa essa leitura na próxima vez que o mesmo cliente aparecer com um assunto parecido.

Litispendência e coisa julgada: qual a diferença na prática

A litispendência protege contra duas ações em paralelo, com risco de decisões contraditórias. A coisa julgada protege contra a repetição depois do fim, e faz a decisão de mérito ficar imutável e indiscutível (art. 502).

Dois limites ajudam a não exagerar. O art. 506 diz que a sentença faz coisa julgada entre as partes e não prejudica terceiros. E o art. 486 lembra que a sentença que não resolve o mérito não impede nova ação: quem perdeu por ilegitimidade ou por inépcia, por exemplo, não tem coisa julgada material contra si.

Como agir, do lado do réu e do lado do autor

Se o cliente é o réu da ação repetida, a defesa é alegar a litispendência ou a coisa julgada na contestação, como preliminar (art. 337). Se o cliente é o autor, o cuidado vem antes do protocolo: pesquisar se já não existe outra ação. Do lado do réu, a preliminar tem de entrar dentro do prazo da contestação; o juiz pode conhecê-la de ofício, como se vê adiante, mas não convém depender disso.

Um roteiro curto:

  1. Localize o número do processo anterior, por cliente, por parte contrária ou por consulta processual.
  2. Compare partes, causa de pedir e pedido.
  3. Veja o estado: em curso (litispendência) ou com trânsito em julgado (coisa julgada).
  4. Decida se alega na contestação, se pede a reunião por conexão ou se desiste de uma das ações.

A consulta processual pelo número do CNJ ajuda no passo 1, quando o processo anterior é conhecido; a busca por parte ou por nome depende do tribunal.

O juiz pode reconhecer sozinho

O art. 337, § 5º, permite ao juiz conhecer de ofício as matérias do artigo, exceto convenção de arbitragem e incompetência relativa. O art. 485, § 3º, vai além: litispendência e coisa julgada podem ser reconhecidas em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado.

O efeito é a extinção sem resolução do mérito (art. 485, V). E o art. 486, § 1º, traz uma consequência que costuma passar despercebida: no caso de litispendência, a nova ação só pode ser proposta depois de corrigido o vício que levou à extinção. Pela mesma via, a petição inicial não é despachada sem a prova do pagamento das custas e dos honorários da ação extinta (art. 486, § 2º).

E a conexão, que é parecida?

Duas ações com o mesmo pedido ou a mesma causa de pedir são conexas e, em regra, reunidas para julgamento conjunto, para evitar decisões conflitantes (art. 55 do CPC). Ao contrário da litispendência, a conexão não extingue uma delas: o processo segue. É o caminho certo quando a tríplice identidade não se completa por um detalhe.

Ação coletiva e ação individual sobre o mesmo tema também não geram litispendência entre si, nos termos do art. 104 do CDC; o ponto está em ação coletiva e substituição processual.

E se a decisão ofender a coisa julgada?

Decisão que ofende coisa julgada anterior pode ser alvo de ação rescisória (art. 966, IV), tema de ação rescisória. Por isso a conferência cedo vale mais do que a correção tarde.

Perguntas frequentes

Litispendência e coisa julgada podem ser alegadas depois da contestação?

Sim, porque o juiz as reconhece de ofício em qualquer tempo e grau de jurisdição, até o trânsito em julgado (art. 485, § 3º). O melhor momento para a parte alegá-las continua sendo a contestação.

Mudar o pedido evita a litispendência?

Se o pedido é realmente outro, a tríplice identidade não se completa e não há litispendência; pode haver conexão. Mudar apenas o texto, mantendo o mesmo bem da vida, não resolve.

Mesmo cliente, mesmo contrato, parcelas diferentes: há litispendência?

Em geral não, porque a causa de pedir ou o pedido abrangem períodos ou parcelas distintos. Convém ler as duas petições para confirmar.

Extinção sem mérito por ilegitimidade gera coisa julgada?

Não. O art. 486 permite propor de novo a ação; se o vício foi corrigido, a nova petição pode seguir.

O que acontece se eu perder a preliminar?

A ação segue, mas a matéria não precluiu: o juiz pode reconhecê-la de ofício depois, e a parte pode alegá-la em petição posterior enquanto não houver trânsito em julgado.

Como o Adv3 trata isso

No Adv3, cada processo tem número CNJ, partes, andamentos e anotações, e a busca por cliente e por número ajuda a achar se já existe caso anterior no escritório. A consulta processual pelo número traz classe, assunto e movimentos do DataJud. O sistema não compara duas petições nem aponta a tríplice identidade sozinho: a leitura de partes, causa de pedir e pedido é do advogado, e processos de outros escritórios só aparecem se o número for conhecido.

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